Portuguese poem
Segunda Serie — VI (Hontem, sentado n'um penhasco, e…)
by Alexandre Herculano (1810–1877)
Hontem, sentado n'um penhasco, e perto Das aguas, então quêdas, do oceano, Eu tambem o louvei, sem ser um justo: E meditei—e a mente extasiada Deixei correr pela amplidão das ondas.
Como abraço materno, era suave A aragem fresca do caír das trévas, Em quanto, involta em gloria, a clara lua Sumia em seu fulgor milhões d'estrellas. Tudo calado estava: o mar somente As harmonias da creação soltava, Em seu rugido; e o freixo do deserto Se agitava, gemendo e murmurando, Ante o sopro de oeste:—alli dos olhos O pranto me correu, sem que o sentisse, E aos pés de Deus se derramou minha alma.
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