Portuguese poem
Epitáfio
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
NO TÚMULO DO MEU AMIGO JOÂO BAPTISTA DA SILVA PEREIRA JÚNIOR
E quantos sonhos na ilusão da vida! Quanta esperança no futuro ainda! Tudo calou-se pela noite eterna... E eu vago errante e só na treva infinda...
Alma em fogo, sedenta de infinito, Num mundo de visões o vôo abrindo, Como o vento do mar no céu noturno Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite! o sol tem véu de sangue... Tateia a sombra a geração descrida!... Acorda-te, mortal! é no sepulcro Que a larva humana se desperta à vida!
Quando as harpas do peito a morte estala, Um treno de pavor soluça e voa... E a nota divinal que rompe as fibras Nas dulias angélicas ecoa!