Versos Portuguese Álvares de Azevedo Tarde de Verão

Portuguese poem

Tarde de Verão

by (1831–1852)

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Viens!... Que l'arbre pénétré de parfums et de chants, Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure, Et le rayonnement de toute la nature Fassent épanouir comme une double fleur La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur! V. HUGO

Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem De flores infecundas a agonia! Oh! não doire o sonhar do moribundo Lisonjeiro pincel da fantasia!

Exaurido de dor e d'esperança Posso aqui respirar mais livremente, Sentir ao vento dilatar-se a vida, Como a flor da lagoa transparente!

Se ela estivesse aqui! no vale agora Cai doce a brisa morna desmaiando: Nos murmúrios do mar fora tão doce Da tarde no palor viver amando!

Uni-la ao peito meu — nos lábios dela Respirar uma vez, cobrando alento; A divina visão de seus amores Acordar o meu peito inda um momento!

Fulgura a minha amante entre meus sonhos, Como a estrela do mar nas águas brilha, Bebe à noite o favônio em seus cabelos Aroma mais suave que a baunilha.

Se ela estivesse aqui! jamais tão doce O crepúsculo o céu embelecera...

E a tarde de verão fora mais bela, Brilhando sobre a sua primavera!

Da lânguida pupila de seus olhos Num olhar de desdém entorna amores, Como à brisa vernal na relva mole O pessegueiro em flor derrama flores.

Árvore florescente desta vida, Que amor, beleza e mocidade encantam, Derrama no meu seio as tuas flores Onde as aves do céu à noite cantam!

Vem! a areia do mar cobri de flores, Perfumei de jasmins teu doce leito; Podes suave, ó noiva do poeta, Suspirosa dormir sobre meu peito!

Não tardes, minha vida! no crepúsculo Ave da noite me acompanha a lira... É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos! Era ainda ilusão — era mentira!