Portuguese poem
Trindade
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
A vida é uma planta misteriosa Cheia d'espinhos, negra de amarguras, Onde só abrem duas flores puras Poesia e amor...
E a mulher... é a nota suspirosa Que treme d'alma a corda estremecida, É fada que nos leva além da vida Pálidos de langor!
A poesia é a luz da mocidade, O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos E o sonhar da ventura...
Voltai, sonhos de amor e de saudade! Quero ainda sentir arder-me o sangue, Os olhos turvos, o meu peito langue... E morrer de ternura!