Versos Portuguese Antero de Quental Iv

Portuguese poem

Iv

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E nós tambem, tambem commungaremos Na grande communhão das novas gentes: Tambem os nossos braços ergueremos --Braços livres de jovens impacientes-- E o cinto d'este Velho quebraremos, De aonde a espada e o sceptro estão pendentes, (Já tão gastos!) lançando-os á ribeira... Para o coroar de palmas e oliveira!

Hespanha--irmã! que boda alegre a nossa! Como hãode então teus seios palpitar! Que ribeira de lagrimas tão grossa Teu branco véo de noiva hade estancar! Como hade parecer pequena poça Para os banhos, então, o grande mar! E entornar-nos volupia nos desejos O mixto de odio antigo e novos beijos!

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Mas tu 'stás presa!... e nós... 'stamos dementes! Separa-nos o abysmo! os teus algozes... A cruz de Ignacio... e as garras inclementes Dos leões orgulhosos e ferozes... E a estupidez do povo dos valentes, D'estes pardaes de atroadoras vozes... Entre nós nos cavaram oceanos... Sejam-lhe ponte os corpos dos tyrannos!

Porque beijas teus ferros, pobre louca, E cuidas 'star beijando cousa santa? E, tendo em tuas mãos cousa tão pouca, Tão tenue como a capa de uma santa, Pensas avassalar a terra amouca, E te ergues com vaidade e gloria tanta? Oh! tu, cuidando os orbes abraçar, Só ruinas abraças--Throno e Altar!

Lembre-te a voz do Cid! a atroadora Voz que se ouvia ao longe nos combates! Porque tu estás feita psalmeadora No côro das egrejas--porque bates No peito, em vez de erguer dominadora A tua mão em meio de combates, E livre e bella, oh Hespanha, olhar os céos Procurando por lá teu novo Deus!