Portuguese poem
Por que descrês, mulher, do amor, da vida?
Porque descrês, mulher, do amor, da vida? Porque esse Hermon transformas em Calvario? Porque deixas que, aos poucos, do sudario Te aperte o seio a dobra humedecida?
Que visão te fugio, que assim perdida Buscas em vão n'este ermo solitario? Que signo obscuro de cruel fadario Te faz trazer a fronte ao chão pendida?
Nenhum! intacto o bem em ti assiste: Deus, em penhor, te deu a formosura; Bençãos te manda o céo em cada hora.
E descrês do viver?... E eu, pobre e triste, Que só no teu olhar leio a ventura, Se tu descrês, em que hei-de eu crer agora?