Portuguese poem
Propter Solatium
Renasço, amigos, vivo! Ha pouco ainda Disse ao viver: «Afunda-te no nada!» E já, bem vêdes, surjo á luz dourada, --No labio o rir, no peito esp'rança infinda!
Ah, flor da vida! flor viçosa e linda! Envolto na mortalha regelada Do só pensar--perdão!--foste olvidada... Flor do sentir e crêr e amar... bem vinda!
A vida! como a sinto, ardente, immensa! Não unica! tomando a immensidade! Livre! perante Deus surgindo forte!
Que amor! que luz! que pira vasta, intensa! Plenitude! harmonia! realidade! Mas melhor que tudo isto é sempre a morte!
A Q. M. Q.
Fica-te em paz! não pode a mão do homem Partir o seio á arvéloa queixosa, Quando o canto soltar, e a voz chorosa Erguer lá contra as magoas que a consommem.
Respeito o teu sacrario: embora tomem Por orgulho o respeito; eu colho a rosa Mas não a flor modesta e melindrosa, Que se occulta entre as mais... e que as mais somem.
Mais que amor tenho crença: essa existencia Pede-me um culto por quem dera a vida, Por que dou esta dôr, que aqui se encerra.
Mulher! mulher! de que valera a essencia, A essencia pura, a uma alma que é descrida? Fica-te em paz: fique eu com minha guerra!