Versos Portuguese Antero de Quental Sonho

Portuguese poem

Sonho

by

Listen in the reader

Sonhei - nem sempre o sonho é coisa vã - Que um vento me levava arrebatado, Através desse espaço constelado Onde uma aurora eterna ri louçã...

As estrelas, que guardam a manhã, Ao verem-me passar triste e calado, Olhavam-me e diziam com cuidado: Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?

Mas eu baixava os olhos, receoso Que traíssem as grandes mágoas minhas, E passava furtivo e silencioso,

Nem ousava contar-lhes, às estrelas, Contar às tuas puras irmãzinhas Quanto és falsa, meu bem, e indigna delas!