Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *A Ultima Serenada Do Diabo*

Portuguese poem

*A Ultima Serenada Do Diabo*

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No tempo em que elle, nas lendas, Era amante e cortezão, Jogava, e tinha contendas, Cantava assim em Milão:

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Ó flores meigas, ó Bellas! Para prender os toucados, Eu dar-vos-hia as estrellas: --Os alfinetes dourados!

Só pelo amor quebro lanças!-- A Rainha de Navarra Enleou um dia as tranças No braço d'esta guitarra!

Sou um heroe perseguido!... Mas inda ha luz nos meus rastros; A lança que me ha ferido Foi feita do ouro dos astros!

Mas um dia, ó bem amadas! Eu tornaria ás alturas... Subindo pelas escadas Das vossas tranças escuras!

O amor que em meu peito cabe Não conta diques, ó bellas! Só minha guitarra o sabe, E aquellas velhas estrellas!

Ó batalhas amorosas! --Era d'aventuras cheia! Ó brancas noutes saudosas Que eu andei pela Judea!

Ó flores apetecidas! Livros escriptos com beijos! Ó brancas aves fugidas Dos jardins dos meus desejos!

Não me deixeis no abandono Ó tristes olhos leaes! Como as pombas, no outomno, Que abandonam os pombaes!

Que fosse eu crucificado N'alguma bem alta Cruz!... --E vos tivesse a meu lado, Como vos teve Jezus!...

Esses olhos me consomem!... Mas, Mulher, da lucta ao cabo, Se perdeste o antigo Homem... --Tu matarás o Diabo!