Portuguese poem
*A Terra*
Fecundarás a terra com o suor do teu rosto.
Cavae, eternamente, a velha terra! Soffrei, suae, gemei na dura enxada, Fecundae-a na paz ou pela guerra, Quer seja pelo arado ou pella Espada,
Ó Homem! trabalhar é tua herança Até que a Morte, emfim, grite--descança!
É a Arvore a tua companheira O lar, a tenda, a sombra de teus passos, Da tua amante a perfumada esteira, Como bençãos t'estende os longos braços!
E ou seja em teu inverno, ou teu estio, E teu berço, teu leito, e teu navio!
É preciso que as lagrimas que correm Façam crescer dos cardos os trigaes, E por cima dos corpos dos que morrem Se ergam verdes loureiros triumphaes!
É preciso que em paz ou pela Guerra, Com pranto, ou sangue se fecunde a Terra!
É preciso caval-a!--nos teus braços Luza a enxada ou o gladio de destroços! A vida é curta--e breves nossos passos, E as flores vivem, crescem sobre os ossos!
E o berço não é mais, ó creatura! Que a linha d'união á sepultura!
É preciso que a Morte, a dôr e os lutos Se transformem em vinhas ostentosas, Nossos prantos convertam-se nos fructos, Do sangue dos heroes tinjam-se as rosas!
Soffrei, lutae, morrei, ó infelizes! --O vosso sangue é util ás raizes!