Portuguese poem
*Accusação A Christo*
(A Theophilo Braga)
Bradava um dia ao Christo, ao Redemptor, Satan, cançado d'insultar os astros: --Eis-te pendido ahi qual velha flor, Propheta escarnecido nos teus rastros!...
Vê como a Egreja vae! baixel sem mastros! Navio roto em mares do Equador! E os seus padres tem ouros e alabastros, E folga, Messalina sem pudor!
Tem lançado teu corpo aos cães e aos corvos! Falsificado a Lei, cheia d'estorvos, E fogueiras erguido, ó Christo! ó Cruz!...
Satan dizia mais... mas lenta e lenta, Uma lagrima viu sanguinolenta Escorregar na face de Jesus!