Portuguese poem
*Antes De Abrir A Carteira*
Aqui leitor socegado! Velho burguez d'outras eras! Depõe o livro de lado; --Não leias estas chimeras!
Não corras esta carteira Meu velho amigo sem dentes! Em quanto geme a chaleira Sonha em teus mortos parentes!
Mas vós amigos dos sonhos Doces mysticas violetas, Castos selvagens tristonhos, E solitarios poetas!...
Que amais as tristes paysaygens E as cousas mysteriosas, A longa chuva, as viagens, E as melodias nervosas.
Nas longas noutes d'outono Que o vento varre a poeira, E a chuva bate--sem somno!-- Folheae esta carteira!