Portuguese poem
*Aquelle Sabio*
N'aquellas altas janellas Que deitam para o telhado; Eu vejo-o sempre encostado, A namorar as estrellas.
Tem assim ares d'empyrico Mui lido em philosophástros; É um pobre poeta lyrico, Que escreve cartas aos astros.
Traz luto nos seus vestidos Por uma Ophelia de menos, Tem uns cabellos compridos, E uns olhos tristes, serenos.
Parece um Jove proscripto, E já descrente das Ledas, Conhece o hebraico, o sanscrito E os livros santos dos Vedas.
Espelha na luz do olhar Não sei que visões amenas; Anda sempre a imaginar Idylios ás açucenas.
E aquella mulher vaidosa --Que elle chama a sua Egeria-- Ri d'aquella alma anciosa, E aquella triste miseria...
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Mais de tres dias ou quatro Que lhe falta o necessario; Estava hontem no theatro Com luvas côr de canario.