Portuguese poem
*Aranha*
N'um sonoro theatro antigo da Alemanha, D'um violino aos ais, banhada de luz viva, Surgia d'um covil uma grotesca aranha, Dos banquetes do Som habitual conviva.
O ser sombrio e obscuro, ó meu amor! não priva Da adoração do Bello, a adoração extranha! E assim se embriagava a escura pensativa Da lyrica emoção que nossa alma banha!
Mataram-a uma vez. Não mais a pobre amante Da Musica, surgiu áquella luz brilhante; Foi-lhe o velho theatro a sua sepultura...
Assim preso tambem pela attracção que choro, --Não te rias cruel! Ó idolo que imploro!... Tu és o Violino e eu sou a aranha escura!...