Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Bilhete D'Um Estudante*

Portuguese poem

*Bilhete D'Um Estudante*

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D'aquelle esguio telhado --Onde tu sabes que eu moro, Eu acho os astros d'um ouro Já bastante mareado!

Nenhum d'elles val a trança Dos teus cabellos compridos! Por isso meu peito lança Ao teu telhado gemidos!

Se eu fosse Deus, minha amada! --Dar-te-hia Satan m'esfólle!-- Uma cartinha fechada, Servindo de lacre o Sol.

Mas sou um predio em ruinas, --Não tenho nada commigo, Sou um deus feito mendigo, Que tomo o sol ás esquinas.

Divago roto e contente!... --Odeio um lente--e o Philyntho! E sob este azul clemente, Triumpho alegre e faminto!

Meus deuses são Vico e Dante!-- E gosto, no meu caminho, Encontrar Minerva amante, E as Musas cheias de vinho.

Como um barco sem amarra, Navego, turgidas vellas, E desafio as estrellas, Á noute, sobre a guitarra!

E a cabello louro ou preto-- --Fragillidades do barro! Envio sempre um soneto Na mortalha d'um cigarro!

Erro sem norte e sem tino! --Ninguem m'estende o seu braço! Quer-me por força o destino Comendador ou palhaço!

*Postscriptum.*

Desculpa-me, flor amada! --Ó minha Musa divina! Não fui hontem á escada, Por que empenhei a batina!...