Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Cantiga Do Campo*

Portuguese poem

*Cantiga Do Campo*

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Como eu adoro as tuas «simplicidades!» (Heine)

Por que andas tu mal commigo? Ó minha doce trigueira? Quem me dera ser o trigo Que, andando, pisas na eira!

Quando entre as mais raparigas Vaes cantando entre as searas, Eu choro ao ouvir-te as cantigas Que cantas nas noutes claras!

Os que andam na descamisa Gabam a violla tua, Que, ás vezes, ouço na brisa Pelos serenos da lua.

E fallam com tristes vozes Do teu amor singular Áquella casa onde cozes, Com varanda para o mar.

Por isso nada me medra, Ando curvado e sombrio! Quem me dera ser a pedra Em que tu lavas no rio!

E andar comtigo, ó meu pomo, Exposto ás chuvas e aos soes! E uma noute morrer como Se morrem os rouxinoes!

Morrer chorando, n'um choro Que mais as magoas consolla, Levando só o thesouro Da nossa triste violla!

Por que andas tu mal commigo? Ó minha doce trigueira? Quem me dera ser o trigo Que, andando, pisas na eira!