Portuguese poem
*Cantiga Do Campo*
Como eu adoro as tuas «simplicidades!» (Heine)
Por que andas tu mal commigo? Ó minha doce trigueira? Quem me dera ser o trigo Que, andando, pisas na eira!
Quando entre as mais raparigas Vaes cantando entre as searas, Eu choro ao ouvir-te as cantigas Que cantas nas noutes claras!
Os que andam na descamisa Gabam a violla tua, Que, ás vezes, ouço na brisa Pelos serenos da lua.
E fallam com tristes vozes Do teu amor singular Áquella casa onde cozes, Com varanda para o mar.
Por isso nada me medra, Ando curvado e sombrio! Quem me dera ser a pedra Em que tu lavas no rio!
E andar comtigo, ó meu pomo, Exposto ás chuvas e aos soes! E uma noute morrer como Se morrem os rouxinoes!
Morrer chorando, n'um choro Que mais as magoas consolla, Levando só o thesouro Da nossa triste violla!
Por que andas tu mal commigo? Ó minha doce trigueira? Quem me dera ser o trigo Que, andando, pisas na eira!