Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *D. Quichote*

Portuguese poem

*D. Quichote*

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A Luciano Cordeiro

O que é isto?

Nos tempos medivaes dos campeões andantes, E das balladas como a do bom rei de Thule, Andava D. Quichote em busca de gigantes, Magro, tristonho, ideal, crente Fausto do Sul.

Batalhador juiz da Virtude e do Crime, Defendendo o opprimido, a mulher, o ancião, Corria o mundo assim, ridiculo e sublime, Em seu magro corcel, sob arnez de cartão.

Cheio de tradições, o velho mundo absorto, Da banda do meio dia, ouvia o seu tropel, E como insectos vis sobre um cavallo morto, Riam as multidões do ultimo fiel.

Ia triste a scismar, com a alma abatida, Nos caminhos do mal rasgando as illusões, Magro Fausto do Sul, buscando a Margarida, Cheio de apupos vis, d'escarneos e irrisões.

Vinha de batalhar espancado e abatido, Cheio de contusões e lodos d'atoleiros, E ao pé montando um burro, e o escudo já partido, Sancho Pança a Materia, e o rei dos escudeiros!

Vinha sereno e grave, escarnecido e exangue, Emmagrecido e caalmo em meio dos estorvos, --Vinham ladrar-lhe os cães, e pressentindo sangue, Grasnavam-lhe em redor bandos negros de corvos.

Sancho Pança fiel, vasculhava a escarcella, E ascultava a borracha emmudecida emfim; Em quanto o Heroe scismava, inclinado na sella, Na conquista ideal do escudo de Membrin.

Paravam aldeões, lavradores crestados; Vinham á porta as mães, fiando o linho fino; E os magros charlatães viam passar, pasmados, Na sombra d'um cavallo o extremo paladino.

Dançavam os truões; as sujas enxurradas Com a lodosa voz, perguntavam: Que é isto?-- Satan n'um corucheu, dizia ás gargalhadas: --Ó campeão do Bem! ó victima do Christo!