Portuguese poem
*Em Viagem*
Ia o vapôr singrando velozmente O verde mar antígo e caprixoso, Á rude voz do capitão Contente,-- Um rubro homem do mar silencioso.
Demandava a Madeira,--a ilha bella, A patria excelsa e celebre do vinho, A viagem foi curta; e no caminho Intentei relações com Arabella.
Arabella era a lyrica ingleza, Loura, pallida e fragil como um vime, Que traz sempre a sua alma meiga presa D'algum amor profundo, mas sublime.
O londrino, o Antony d'esses amores, Era um rubro e excentrico burguez, Mais amigo do bife que das flores, --A extravagancia de chapeu inglez,
Seu olhar dubio, incerto e traiçoeiro Tinha visões de sangue derramado Em toda a parte; ao todo um ex-banqueiro, --Um calvo, velho amigo do Peccado!
Nunca o olhar fitava em sitio certo;-- Vogava ás vezes só no tombadilho, Com um comprido e merencorio filho, E ninguem viu-lhe um riso franco e aberto.
Punha, ás vezes, no mar o olhar sombrio; E ao vento, a fita branca do chapeu Dir-se-hia a vella triste d'um navio De naufragos, n'um lugubre escarceu!
--Mas comtudo, a ingleza, a triste amante Com seus longos e louros caracoes, Fitava ás vezes no azul distante, Seus olhos divinaes como dous soes.
E, mau grado andar languida, doente, Ser branca, loura, e fragil como um vime... --Um sabio lêra-lhe a attracção ardente Pelas virís fascinações do crime.