Portuguese poem
*Disputa*
Voltaire dando com o pé n'uma caveira, ria Com certo riso mau, sinistro e mofador; --A velha companheira, então, da Theologia Dos santos e da Cruz bradou ao pensador:
--És tu impio Voltaire, ó verme roedor Das folhas do Evangelho! ó Satan da ironia! Cujos risos crueis fazem chorar Maria, E despregam do lenho a ensanguentada flor!?
Tu tens lançado o cuspo aos astros lancinantes; Abalado da Cruz os cravos vacillantes; E ladrado de Deus que julgas a dormir!...
Mas olha em cima é o Ceu, dos astros sementeira!... --Voltaire disse-lhe então: Pois se assim é, caveira, Por que te encontram, sempre, ao pé da cruz a rir?