Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Idylio Meridional*

Portuguese poem

*Idylio Meridional*

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Sem ti, vejo o meu futuro Um horto cheio d'abrolhos!-- Ah não me deixem teus olhos Por este caminho escuro!

No inverno, as candidas aves Abandonam os pombaes, Meu bem, teus olhos suaves Não me desterrem jámais!

Quando á tarde o ceu flameja, Junto de ti encostado, Que vezes, não tenho inveja Da agulha do teu bordado!

Eu quizera a toda a hora Cantar-te, ó sol os meus dias! Como os sonetos que á Aurora Enviam as cotovias.

Ó labios que pedem beijos! Ó brancas mãos delicadas! Voam a vós meus desejos Quaes pombas ensanguentadas!..

Ó rival das açucenas! Nenhum punhal faz no peito As chagas que me tem feito Essas tuas mãos pequenas!

E, comtudo o amor só dura Entre as lagrimas da magoa, --Como uma violeta escura Que se morre á mingoa de agoa!

Um horto todo d'abrolhos Sem ti será meu futuro!-- Ah! não me larguem teus olhos Por este caminho escuro!