Portuguese poem
*Idylio Meridional*
Sem ti, vejo o meu futuro Um horto cheio d'abrolhos!-- Ah não me deixem teus olhos Por este caminho escuro!
No inverno, as candidas aves Abandonam os pombaes, Meu bem, teus olhos suaves Não me desterrem jámais!
Quando á tarde o ceu flameja, Junto de ti encostado, Que vezes, não tenho inveja Da agulha do teu bordado!
Eu quizera a toda a hora Cantar-te, ó sol os meus dias! Como os sonetos que á Aurora Enviam as cotovias.
Ó labios que pedem beijos! Ó brancas mãos delicadas! Voam a vós meus desejos Quaes pombas ensanguentadas!..
Ó rival das açucenas! Nenhum punhal faz no peito As chagas que me tem feito Essas tuas mãos pequenas!
E, comtudo o amor só dura Entre as lagrimas da magoa, --Como uma violeta escura Que se morre á mingoa de agoa!
Um horto todo d'abrolhos Sem ti será meu futuro!-- Ah! não me larguem teus olhos Por este caminho escuro!