Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Humorismo Mystico*

Portuguese poem

*Humorismo Mystico*

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(Ao Dr. Thomaz de Carvalho)

Quando eu morrer, se acaso inda presares Aquellas nossas digressões antigas Ao verde campo, e as joviaes cantigas Da aldeia inda apagar os teus pezares...

Se, acaso, inda a giesta, o rosmaninho, A larangeira e o grande muro branco... Te lembram... e te vaes sentar no banco Ás tardes... junto ás tilias do caminho!...

Se, acaso, aquelle nome solitario Que eu fui gravar um dia no pinheiro, Vinha descendo o sol... como um guerreiro Cheio de sangue... atraz do campanhário...

Se, acaso, aquelle nome o tronco duro Inda o guardou fiel!... e a larangeira!... E eu não passei por este val escuro Como uma ave lugubre e estrangeira!...

Se acaso inda te lembra d'esse, a quem Tanta vez tu vestiste com as tranças!... E á cova em que eu jazer vier alguem... Sem ser as meigas pombas e as creanças!...

Se acaso aquelle fogo em que te abrasas Inda não se apagou!... nem o encanto!... --Mais que a ideal palpitação das azas, Ser-me-ha doce, meu bem! ouvir teu pranto!

E n'essa cova então bella e dourada, --Como a nossa união antiga e calma! Colhe tu uma flor branca e raiada... --Que n'essa flor te enviarei minha alma!

Toma cuidado n'ella... Ali se encerra O que amaste!... e, ah! não vás como as mulheres Curiosas d'amor, lançando á terra As folhas virginaes dos malmequeres!...

Planta-a dentro d'um vaso predilecto... Entre os outros, á luz... sobre a sacada... E eu gosarei como um praser secreto, Sentindo a tua mão pequena e amada!...

Será esse o meu goso derradeiro!... O meu sol, meu azul, o meu espaço!... E ao sentir-me regar pelo teu braço... Lembrar-me-ha o teu osculo primeiro...

Lembrar-me-ha a giesta, o rosmaninho, A larangeira e o grade muro branco... --E quando iamos fallar no velho banco, Ás tardes... junto ás tilias do caminho!