Portuguese poem
I (Portugal)
by Antonio Feliciano de Castilho (1800–1875)
Portugal!...
Miseranda patria minha!...
A que horrivel abysmo te arroja ingrata a filha de teu Rei!...
A filha do teu libertador!...
Aquella por quem espargiste o sangue de tuas veias com tanta generosidade!...
Em que abysmo tão profundo foste precipitada, patria minha miseranda!...
Nova Polonia, vendida a tres nações, que te veneraram já, que já provaram tua força e tua coragem!...
Portugal!...
Estrangulado entre as garras do Leopardo.... dilacerado pelos dentes do Leão.... e por escarneo picado com os esporões do gallo, que sobre o teu cadaver canta os hymnos mortuarios que a finada Polonia ouvira quando posta em almoeda era vendida a quem mais dava!...
Portugal!...
De tanta glória passada, de tanta capacidade e inexgutaveis recursos que ainda tens, de tanto patriotismo, dedicação, grandeza de alma, que ficará?
Nem mesmo um nome que tenha alguma significação.
E aos vindouros nada quererá dizer esta palavra, n'outras eras tão significativa—Portugal.—