Portuguese poem
IV (Rainha pelos Portuguezes)
by Antonio Feliciano de Castilho (1800–1875)
Rainha pelos Portuguezes!
O desamor de Teus subditos ao usurpador, Teu Tio, entorpeceo-lhes os braços por tal fórma que deixaram entrar uma Esquadra Franceza pelo tejo.
E o pavilhão francez, o pavilhão tricolor, essa bandeira do Povo, essa bandeira que a desgraçada Polonia julgava a cada instante esperançosa vêr tremular ao longe em soccorro de seu ultimo baluarte; esse pavilhão mentiroso tremulou por algumas horas n'algumas fortalezas de Portugal.
Mas assim foi ainda, porque os Portuguezes, opprimidos, esperavam protecção nesses estrangeiros para sacudir o jugo de um tyranno, sem derramar tanto sangue, quanto é o que a Tua Corôa lhes tem custado.
Illudidos foram nas suas esperanças; e nunca lhes hade passar a magoa de não terem corrido todos, á voz de quem quer que fosse, para o combate, para morrer abraçados á cruz de sua bandeira!
Triste necessidade, lhes nutrindo uma esperança, os fez covardes, e tal desengano lhes ha de enrubecer de vergonha sempre as faces maceradas!...
E com que necessidade agora Tu Consentes que o pavilhão da soberbissima Inglaterra se arvore em terra de Portuguezes?
E em que logar, em que torre elle se arvora, para conservar preso um troço de Portuguezes, surpreendidos sem nenhuma declaração de guerra?
Conheces aquella torre?
A torre de S. Julião!....
Naquella torre, cadafalso de Gomes Freire!...
Naquella torre, cujos alicerces estão ensopados de sangue portuguez, derramado gota a gota para Ti, por mais de cinco annos....
Alli... alli se arvora a bandeira de Inglaterra, que tem prisioneiros os Teus subditos.... e a Ti mesma.... a Ti mesma, qual outra Pomaré!...
Que vergonha!....