Versos Portuguese Antônio Gonçalves Dias (Traducção.)

Portuguese poem

(Traducção.)

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Eis que tomba da abobada celeste O archanjo audaz, o seraphim manchado, Desenrolando o corpo volumoso, Despenhado precipite,--qual mundo Dos eixos arrancado,--como um vivo Dos céos fragmento enorme, eil-o cahindo! Cahia lá d’aquelles céos brilhantes, Donde inda os seos iguaes lançavão raios; Cahia!--e a cerviz no espaço ardendo As espheras dos sóes de côr de sangue, Passando, avermelhava.

Eil-o, o maldicto, o archanjo da blasfemia, Rival do creador!--té o imo peito Pelas frechas da anáthema varado, Como n’um turbilhão, desce rodando; Ondas d’um mar de fogo o vem cercando, E elle occulta a cabeça, Como que procurasse Nas entranhas da noite Esconder seu desdoiro. Clamavão--longe--os mundos com voz forte: «Que insensato! onde vae? Nesse arrojado, Frenetico voar, que vento o impelle, Que de astro em astro vae, d’um céo em outro? Vede como é sombrio! Oh! quão outro que está d’aquelle archanjo De tão bello semblante, Lucifer radiante, Cujo sopro era como o romper d’alva, Que as portas da manhã nos céos abria, Trazendo comsigo a aurora, Que o seo alento accendia! Acaso o reconhecestes? Era hontem brilhante, novo e bello; E hoje é feio e nu e descalvado, Nas azas da tormenta balouçado, Nas azas dos bulcões; E os seos olhos fulminados Já sem pupillas fumegão, Quaes crateras de vulcões!»

O archanjo os escutava, ameaçando-os Co’o olhar fulminante; Que cheio d’impio orgulho já sentia Uma c’rôa de rei cingir-lhe a fronte. Todos os astros que no espaço gyrão Seos olhos d’irritados fascinavão; E os astros todos de terror tremião, Saudando a coruscante realeza. E já os céos sem fim, estrellas, mundos Traz delle se perderão; E nas profundas solidões do espaço O archanjo abandonado apenas via A noite, e sempre a noite! Tem medo, olha, procura....--Um astro! um astro! Transviado nos céos!--O archanjo o avista! Estende a mão convulsa arrepellando-o: Segura, arrasta-o, e d’um só pulo hardido Tral-o potente ao limiar do inferno, Alentando açodado.

O errante cometa duas vezes Ao tetro boqueirão levou comsigo, E duas vezes, como um negro abutre, Lutando corpo a corpo, de cançaço Sentio-se esmorecer. Duas vezes tambem o astro victima, Supplicando medroso, as igneas azas Bateu, sublime grito aos céos mandando. O nome do Senhor por duas vezes O rebelde venceo,--elle sosinho Cahio no fundo abysmo.

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CANÇÃO DE BUG-JARGAL.