Portuguese poem
A Minha Irmã Maria Da Gloria
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Listen in the readerWatch the reading
Podessem suas mãos cobrir meu rosto, Fechar-me os olhos e compôr-me o leito, Quando, sequinho, as mãos em cruz no peito, Eu me fôr viajar para o Sol-posto.
De modo que me faça bom encosto, O travesseiro comporá com geito. E eu tão feliz! por não estar affeito, Hei-de sorrir, Senhor! quazi com gosto.
Até com gosto, sim! Que faz quem vive Orpham de mimos, viuvo de esperanças, Solteiro de venturas, que não tive?
Assim, irei dormir com as crianças Quazi como ellas, quazi sem peccados... E acabarão emfim os meus cuidados.
Clavadel, outubro, 1895.
3
Also available with a spoken translation into English in the reader.