Portuguese poem
Sê de Pedra!
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Não reparaste nunca? Pela aldeia, Nos fios telegraphicos da estrada, Cantam as aves, desde que o sol nada, E, á noite, se faz sol a lua cheia...
No entanto, pelo arame que as tenteia, Quanta tortura vae, n'uma ancia alada! O Ministro que joga uma cartada, Alma que, ás vezes, d'além-mar anceia:
—Revolução!—Inutil.—Cem feridos, Setenta mortos.—Beijo-te!—Perdidos! —Emfim, feliz!—?—!—Desesperado.—Vem!
E as lindas aves, bem se importam ellas! Continuam cantando, tagarellas: Assim, Antonio! deves ser tambem.
Colonia, 1891.