Portuguese poem
A um Carneiro Morto
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Misericordiosissimo carneiro Esquartejado, a maldição de Pio Decimo caia em teu algoz sombrio E em todo aquelle que fôr seu herdeiro!
Maldito seja o mercador vadio Que te vender as carnes por dinheiro, Pois, tua lã aquece o mundo inteiro E guarda as carnes dos que estão com frio!
Quando a faca rangeu no teu pescoço, Ao monstro que espremeu teu sangue grosso Teus olhos — fontes de perdão — perdoaram!
Oh! tu que no Perdão eu symboliso, Si fosses Deus, no Dia de Juizo, Talvez perdoasses os que te mataram!