Versos Portuguese Augusto dos Anjos Aberração

Portuguese poem

Aberração

by (1884–1914)

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Na velhice automatica e na infancia, ( Hoje, hontem, amanhã e em qualquer éra ) Minha hybridez é a summula sincera Das defectividades da Substancia.

Creando na alma a esthesia abstrusa da ancia, Como Bellerophonte com a Chimera Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esphera E acho odor de cadaver na fragrancia!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto De anomalias lugubres. Existo Como o cancro, a exigir que os sãos enférmem...

Teço a infamia; urdo o crime; engendro o lodo E nas mudanças do Universo todo Deixo inscripta a memoria do meu germen!