Portuguese poem
Depois da Orgia
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
O prazer que na orgia a hetaira goza Produz no meu sensorium de bacchante O effeito de uma túnica brilhante Cobrindo ampla apostema escrophulosa!
Troveja! E anhélo ter, soffrega e anciosa, O systema nervoso de um gigante Para soffrer na minha carne estuante A dor da força cósmica furiosa.
Apraz-me, emfim, despindo a ultima alfaia Que ao commercio dos homens me traz presa, Livre deste cadeado de peçonha,
Similhante a um cachorro de atalaia A’s decomposições da Natureza, Ficar latindo minha dor medonha!