Portuguese poem
O Martyrio do Artista
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Arte ingrata! E comquanto, em desalento, A órbita ellipsoidal dos olhos lhe arda, Busca exteriorisar o pensamento Que em suas phronetaes céllulas guarda!
Tarda-lhe a Idéa! A Inspiração lhe tarda! E eil-o a tremer, rasga o papel, violento, Como o soldado que rasgou a farda No desespero do ultimo momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!... É como o paralytico que, á mingua Da propria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar, com os dedos brutos Para falar, puxa e repuxa a lingua, E não lhe vem á bocca uma palavra!