Portuguese poem
O Lázaro da Patria
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Filho pôdre de antigos Goytacazes, Em qualquer parte onde a cabeça ponha, Deixa circumferencias de peçonha, Marcas oriundas de úlceras e anthrazes.
Todos os cynocéphalos vorazes Cheiram seu corpo. A’ noite, quando sonha, Sente no thorax a pressão medonha Do bruto embate ferreo das tenazes.
Mostra aos montes e aos rigidos rochedos A hedionda elephantiasis dos dedos. Ha um cansaço no Cosmos. Anoitece.
Riem as meretrizes no Casino, E o Lázaro caminha em seu destino Para um fim que elle mesmo desconhece!