Portuguese poem
O Corrupião
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Escaveirado corrupião idiota, Olha a atmosphera livre, o amplo ether bello, E a alga cryptógama e a usnea e o cogumelo, Que do fundo do chão todo o anno brota!
Mas a ancia de alto voar, de á antiga rota Voar, não tens mais! E pois, preto e amarello, Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebello A gargalhada da ultima derrota!
A gaiola aboliu tua vontade. Tu nunca mais verás a liberdade!. Ah! Tu somente ainda és egual a mim.
Continúa a comer teu milho alpiste. Foi este mundo que me fez tão triste, Foi a gaiola que te pôz assim!