Portuguese poem
O Deus-Verme
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Factor universal do transformismo, Filho da teleológica materia, Na superabundancia ou na miseria, Verme — é o seu nome obscuro de baptismo.
Jamais emprega o acérrimo exorcismo Em sua diaria occupação funerea, E vive em contubernio com a bactéria, Livre das roupas do anthropomorphismo.
Almoça a podridão das drupas agras, Janta hydrópicos, roe visceras magras E dos defuntos novos incha a mão.
Ah! Para elle é que a carne pôdre fica, E no inventario da materia rica Cabe aos seus filhos a maior porção!