Versos Portuguese Augusto dos Anjos O Mar

Portuguese poem

O Mar

by (1884–1914)

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O mar é triste como um cemitério; Cada rocha é uma eterna sepultura Banhada pela imácula brancura De ondas chorando num alvor etéreo.

Ah! dessas vagas no bramir funéreo Jamais vibrou a sinfonia pura Do Amor; lá, só descanta, dentre a escura Treva do oceano, a voz do meu saltério!

Quando a cândida espuma dessas vagas, Banhando a fria solidão das fragas, Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma,

Reflete a luz do sol que já não arde, Treme na treva a púrpura da tarde, Chora a Saudade envolta nesta espuma!