Versos Portuguese Augusto Gil (A Pio Cavalheiro)

Portuguese poem

(A Pio Cavalheiro)

by (1873–1929)

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Passou junto de nós, pedindo esmola, Uma creança rota, magra, invalida. Deitaste-lhe dinheiro na sacola, Beijaste-lhe em seguida a face pallida.

Que feliz foi o pobre da sacola! O seu desejo era bem mais modesto. Podias dar-lhe unicamente a esmola E a mim--dares-me o resto...

Em wagon

A chaminé vomita fumarada. A machina assobia: parto emfim. Na gare, ao longe, a minha namorada Agita o lenço branco para mim.

Como rectas traçadas a namkim, Sobre um fundo ceruleo de aguada, Vejo no espaço nitidas, assim, As linhas telegraphicas da estrada.

O sol, hostia de luz resplandecente, Vae-se elevando gloriosamente Na abobada vastissima dos ceus

E dois choupos batidos pelo vento Curvam-se num ligeiro cumprimento, Cerimoniosos, a dizer-me adeus...

Blasphemia santa

Jurou-me eterno amor. A noite ia cahindo. E, entre outras phantasias, Eu disse-lhe sorrindo:

Se Deus surgisse agora, aqui, perante nós O que é que lhe dizias?

--Que nos deixasse sós...

Á sobremesa

Variação sobre um Thema de Heine