Portuguese poem
(A Uma Vizinha)
by Augusto Gil (1873–1929)
Vae serena, desmaiada, Entornando luar no azul, A lua, taça quebrada Dos festins do rei de Thule.
As estrellas maceradas São como beijos de luz, Ou lagrimas condensadas Do martyrio de Jesus.
Serena como uma prece, Cariciosa como um ninho, A via-lactea parece Estrada feita de arminho.
Estrada feita de arminho E flocos alvinitentes, Que talvez seja o caminho Para a morada dos crentes.
Curvam-se os lirios abertos, Escutando o som da aragem, E os rouxinoes dão concertos Sob as folhas da ramagem.
Na atmosphera encantada Anda a vibrar soluçante A voz doce e requebrada D'um bandolim tremulante.
Oh dona de olhos sensuaes --Olha o luar tão bonito! Façamos os esponsaes Do nosso amor infinito.
Vamos vibrar os harpejos D'uma serenata louca. As notas, serão meus beijos E a guitarra... a tua bocca.
A Alberto de Oliveira