Versos Portuguese Augusto Gil (N'Um Bilhete De Visita)

Portuguese poem

(N'Um Bilhete De Visita)

by (1873–1929)

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Eis o pedido simples que te indico, Se acaso o teu amor do meu partilha: Ama-me com o amor que eu te dedico E pensa em mim, como em ti penso, filha.

Manhã no campo

Manhã no campo. O som, a luz, o aroma, a côr, Fundem-se alegremente em galas festivaes. A luz por todo o espaço, o aroma em cada flôr, O som na passarada, a côr nos vegetaes.

É toda a natureza um extasis d'amor. Por sob o céo, do tom das rosas outomnaes, Concebe o lirio branco, a laranjeira em flôr, A abelha delicada, a pomba dos pombaes.

O vento sul dissipa as brumas do nascente, E, como tem chovido a primavera inteira, Vae quasi a transbordar o leito da ribeira.

O sol envolve o azul n'um longo beijo ardente E pelo espaço vão, em phantasiosas linhas, As bohemias d'além-mar, as meigas andorinhas...

Adeus

Ha de lembrar-me sempre a immensa magua Que vi transparecer nos olhos teus Ceruleos, languescentes, rasos de agua, Quando, poisando os labios sobre os meus, N'um demorado osculo celeste, Tremente e carinhosa me disseste Esta palavra:--Adeus!--

Afastei-me de ti e já distante Voltei-me para vêr-te inda uma vez Com o presentimento lancinante De que te não veria mais, talvez. Tornei-me então da lividez d'um monge, Quando vi alvejar nos dedos teus Um lenço branco repelindo ao longe: Adeus, adeus, adeus...

Lyrica chineza