Portuguese poem
I
by Augusto Gil (1873–1929)
Escrevo em testamento este poema Que elle tenha, na angustia com que o ligo, O brilho rutilante duma gemma Achada nos farrapos dum mendigo...
Ao vesperal crepusculo da vida E sob o olhar da morte é que o componho; Erguendo assim, por minha despedida, O ultimo escalão dum alto sonho.
Nesse degrau que d'entre os soes dispersos Hade attingir a cúpula dos céus, Direi ao mundo os derradeiros versos, Porei o coração nas mãos de Deus!
E as mãos de Deus que os astros têm guiado Como se leve pluma cada um fôra, Hão de o sentir pesar, sollicitado Pelo logar da terra onde ella móra...