Portuguese poem
Ii
by Augusto Gil (1873–1929)
...Sei lá pintar! Se eu soubesse pintar, era pintor.
Guedes Teixeira
Na mais alta cidade portuguêsa Nasceu, para abrandar meu fundo mal, A mais santa, a mais cheia de pureza Das moças deste lindo Portugal.
Os seus olhos são tristes e suggerem Todo um passado de resignação. São tristes, certamente por não verem O rosto incomparavel onde estão...
A voz é clara como as assucenas E dolorida, candida, modesta. É dolorida, porque sente penas D'abandonar a sua bocca honesta...
O riso, que é em nótulas delidas Vibra em seus labios tão rapidamente Como um beijo d'amor, ás escondidas, Na curva duma estrada em que vem gente...
A mão della, uma vez, poisou na minha; Pareceu-me ao sentir-lhe a commoção, Que era o seu proprio coração que eu tinha A palpitar dentro da minha mão...
Se passa, ás tardes, e de traz cahindo, O sol abraza os longes da paizagem, A sombra que em sua frente vae seguindo É a luz--a abrir-se, p'ra lhe dar passagem...
Se passa, acalma os corações maguados Como outr'ora as parabolas de Christo Acalmavam a dôr aos desgraçados. Acalma os corações?! Não... não é isto.
As estrophes d'amor, a quem o sinta, Dão um trabalho cheio de tormento; O tenebroso liquido da tinta Apaga, rouba a côr ao sentimento.
Quiz celebrar dum modo original As finas graças do seu corpo. Errei-as. Oh Fórma! És como um fato d'hospital. Palavras! Sois a nevoa das ideias...