Versos Portuguese Auta de Souza De joelhos

Portuguese poem

De joelhos

by (1876–1901)

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Ajoelhada, ó minh’alma, abraçando o madeiro Em que morreu Jesus, o teu celeste amigo! A seus pés acharás o pouso derradeiro, O derradeiro amparo, o derradeiro abrigo.

Ajoelha e soluça... A noite, mãe piedosa, Te aperta contra o seio e te ensina a rezar... Balbucia a oração, pequenina e formosa, Das estrelas no céu e das ondas no Mar.

Ajoelha e soluça, implorando a alegria Que a saudade sem fim do coração te arranca, E a graça de viver, como a Virgem Maria, Eternamente pura, eternamente branca.

Ajoelha e repete a prece imaculada Que aprendeste a rezar no tempo de criança; Deixa a prece subir como uma ária encantada Se evolando da terra ao País da Esperança.

Ajoelha e soluça... A dúvida, que importa? Ninguém poderá rir ante uma dor tamanha... Todos beijam a Cruz, toda a descrença é morta Quando se chega ao pé da sagrada montanha.

De joelhos, minh’alma, ao pé do lenho santo Em que sofre Jesus a derradeira pena! Deixa cair-lhe aos pés em gotas o teu pranto... Que as enxugue no Céu a doce Madalena!

Ajoelha e soluça, implorando a alegria Que a saudade sem fim do coração te arranca, E a graça de viver, como a Virgem Maria, Eternamente pura, eternamente branca...

Serra da Raiz - 2 - 1898.