Portuguese poem
Eterna dor
by Auta de Souza (1876–1901)
Alma de meu amor, lírio celeste, Sonho feito de um beijo e de um carinho, Criatura gentil, pomba de arminho, Arrulhando nas folhas de um cipreste.
Ó minha mãe! Por que no mundo agreste, Rola formosa, abandonaste o ninho? Se as roseiras do Céu não têm espinhos, Quero ir contigo, ó lírio meu celeste!
Ah! se soubesses como sofro, e tanto! Leva-me à terra onde não corre o pranto, Leva-me, santa, onde a ventura existe...
Aqui na vida - que tamanha mágoa! - O próprio olhar de Deus encheu-se d’água... Ó minha mãe, como este mundo é triste!
Utinga - Outubro de 1898