Portuguese poem
Doente
by Auta de Souza (1876–1901)
A lua veio... foi-se... e em breve ainda, Há de voltar, a doce lua amada, Sem que eu a veja, a minha fada linda, Sem que eu a veja, a minha boa fada.
Ela há de vir, Ofélia desmaiada, Sob as nuvens do céu na alvura infinda Do seu branco roupão, noiva gelada, Boiando à flor de um rio que não finda.
Ela há de vir, sem que eu a veja... Entanto, Com que tristezas e saudoso encanto Choro estas noites que passando vão...
Ó lua! mostra-me o teu rosto ameno: Olha que murcha à falta de sereno O lírio roxo do meu coração!