Versos Portuguese Cesário Verde Pró pudor!

Portuguese poem

Pró pudor!

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Todas as noites ela me cingia Nos braços, com brandura gasalhosa; Todas as noites eu adormecia, Sentindo-a desleixada a langorosa.

Todas as noites uma fantasia Lhe emanava da fronte imaginosa; Todas as noites tinha uma mania, Aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, modernamente, Ela tinha um furor dos mais soturnos, Furor original, impertinente...

Todas as noites ela, ah! sordidez! Descalçava-me as botas, os coturnos, E fazia-me cócegas nos pés...