Portuguese poem
Ermida
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Lá onde a calma e a placidez existe, Sobre as colinas que o vergel encobre, Aquela ermida como está tão pobre, Aquela ermida como está tão triste.
A minha musa, sem falar, assiste, Do meio-dia ante o aspecto nobre, O vago, estranho e murmurante dobre Daquela ermida que aos trovões resiste
E as gargalhadas funéreas, sombrias, Dos crus invernos e das ventanias, Do temporal desolador e forte.
Daquela triste esbranquiçada ermida, Que me recorda, me parece a vida Jogada às magoas e ilusões da sorte.