Portuguese poem
Escravocratas
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio Manhosos, agachados — bem como um crocodilo, Viveis sensualmente à luz dum privilégio Na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas Ardentes do olhar — formando uma vergasta Dos raios mil do sol, das iras dos poetas, E vibro-vos a espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário — Da branca consciência — o rútilo sacrário No tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico, Vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico, Castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!