Versos Portuguese Cruz e Sousa Espasmos

Portuguese poem

Espasmos

by (1861–1898)

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Alma das gerações, alma lendaria, Que tens tanto de Hamlet, tanto de Ophélia, A candidez da rosida camélia E as lagrimas da sêde heredilaria;

5Alma dormente, tumultuosa, vária, Accórde de harpa mysteriosa e célia, Virgindade selvagem de bromélia, Alma do Eleito, do Plebeu, do Pária;

És a chamma do Amor, negro-vermelha

10De onde rompeu a fulgida scentelha, Que a Flôr de fogo fez gerar no-Dante.

Com teus espasmos e delicadezas, Nervosas e secrétas subtilezas, Enches todo este abysmo soluçante!

Oh Lua voluptuosa e tentadôra, Ao mesmo tempo trágica e funésta, Lua em fundo revolto de florésta E de sonho de vaga embaladôra;

5Langue visão mortal e seductora, Dos vergeis sideraes pallida giésta, Divindade subtil da mórna sesta, Da lasciva paixão fascinadora;