Portuguese poem
Espiritualismo
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ontem, à tarde, alguns trabalhadores, Habitantes de além, de sobre a serra, Cavavam, revolviam toda a terra, Do sol entre os metálicos fulgores.
Cada um deles ali tinha os ardores De febre de lutar, a luz que encerra Toda a nobreza do trabalho e — que erra Só na cabeça dos conspiradores,
Desses obscuros revolucionários Do bem fecundo e cultural das leivas Que são da Vida os maternais sacrários.
E pareceu-me que do chão estuante Vi porejar um bálsamo de seivas Geradoras de um mundo mais pensante.