Portuguese poem
Espasmos
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Alma das gerações, alma lendária Que tens tanto de Hamlet, tanto de Of';elia, A candidez da rórida camélia E as lágrimas da Sede hereditária.
Alma dormente, tumultuosa, vária, Acorde de harpa misteriosa e célia, Virgindade selvagem de bromélia, Alma do Eleito, do Plebeu, do Pária.
És a chama do Amor, negro-vermelha, De onde rompeu a fúlgida centelha Que a Flor de fogo fez gerar no Dante.
Com teus espasmos e delicadezas, Nervosas e secretas sutilezas Enches todo este Abismo soluçante!