Portuguese poem
Horas de Sombra
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Horas de sombra, de silêncio amigo Quando há em tudo o encanto da humildade E que o anjo branco e belo da saudade Roga por nós o seu perfil antigo.
Horas que o coração não vê perigo De gozar, de sentir com liberdade... Horas da asa imortal da Eternidade Aberta sobre tumular jazigo.
Horas da compaixão e da clemência, Dos segredos sagrados da existência, De sombras de perdão sempre benditas.
Horas fecundas, de mistério casto, Quando dos céus desce, profundo e vasto, O repouso das almas infinitas.