Portuguese poem
Ilusões Mortas
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Os meus amores vão-se mar em fora, E vão-se mar em fora os meus amores, A murchar, a murchar, como essas flores Sem mais orvalho e a doce luz da aurora.
E os meus amores não virão agora, Não baterão as asas multicores, Como as aves mansas — dentre os esplendores Do meu prazer, do meu prazer de outrora.
Tudo emigrou, rasgando a esfera branca Das ilusões, — tudo em revoada franca Partiu — deixando um bem-estar saudoso
No fundo ideal de toda a minha vida, Qual numa taça a gota indefinida De um bom licor antigo e saboroso.